13/02/2019 Marcos Arthur

Existo, logo aprendo – Parte 1: Educação X Aprendizagem

Como aquecimento para nossa participação no SXSW EDU 2019, vamos compartilhar ao longo dos próximos dias alguns dos aprendizados da edição passada.


 

" Educação é o que as pessoas fazem com você; e aprender é o que você faz consigo. "
Joi Ito

A reflexão proposta pelo diretor do MIT Media Lab provavelmente passou pela cabeça de muitos outros pensadores antes dele, mas ninguém conseguiu sintetizá-la de forma tão simples e clara. “Mas o que isso tem a ver com tendências?”, alguém pode perguntar. Talvez o fato de que a aprendizagem, hoje, está finalmente no caminho para ser o centro das “preocupações” quando falamos em educação.

“Ora, mas isso é óbvio, e sempre foi assim”, vão dizer. Será mesmo? Para responder a essa questão é importante levar em conta o quanto educação e aprendizagem estão realmente ligadas, não na teoria, mas na prática. Pensando com base na reflexão do professor Joi Ito, podemos até mesmo afirmar que, em certa medida, os dois processos seguem direções opostas, já que um deles é essencialmente externo, “de fora para dentro” (educação), e o outro é essencialmente interno, “de dentro para fora” (aprendizagem).

Na série O começo da vida, um dos exemplos trazidos deixa isso bem claro ao mostrar a diferença de aprendizado entre bebês expostos a duas línguas distintas: no primeiro grupo, em que as crianças conviviam com adultos falando os dois idiomas, o aprendizado foi muito maior do que no segundo grupo, em que elas apenas eram expostas às línguas por meio de programas de TV.

Podemos dizer que o experimento provou, na prática, que os bebês do primeiro grupo estavam mais engajados do que os do segundo e, por isso, foram mais capazes de se apropriar do próprio processo de aprendizagem. Em ambos os casos, houve uma tentativa de educação (de fora para dentro), mas com aprendizado (de dentro para fora) completamente diferente.

Talvez por isso estejam entre os pontos centrais das discussões em torno da educação a aprendizagem personalizada e a aprendizagem centrada no indivíduo em suas diversas formas. Falar isso não é novo, mas provavelmente os olhares nunca estiveram tão voltados para isso como agora.

O cerne da questão está em “decifrar” o que isso verdadeiramente significa, já que as pessoas (incluindo os profissionais de educação) tendem a pensar que aprender de forma personalizada depende de receber um ensino personalizado, isto é, plenamente conectado com a forma como cada indivíduo aprende e apreende (fixa o conteúdo). A mesma linha de raciocínio tende a acontecer quando se pensa em aprendizagem centrada no indivíduo.

Isso ajuda, mas não resolve. Vale lembrar que a educação necessariamente passa pela aprendizagem (na família, na escola, etc.), mas a aprendizagem independe da educação – é um processo visceralmente ligado à pessoa que aprende. Nesse sentido, a educação tenta promover processos de aprendizagem que levem o indivíduo ao futuro e o permitam não apenas sobreviver nele, mas fazer dele algo melhor do que o passado.

Para que essa função da educação se cumpra plenamente, é preciso mexer no modelo mental, conferindo mais valor ao processo de dentro para fora, isto é, a aprendizagem. A educação do futuro deixa de ser “o que as pessoas fazem com você” para se tornar um elo entre o indivíduo e o aprendizado – na prática, de forma muito simples, um processo de facilitação. Isso porque a aprendizagem efetiva, como foi ilustrado no experimento com os bebês, depende do engajamento de quem aprende, da apropriação que a pessoa faz da própria aprendizagem. Para que isso ocorra, é preciso preparar o terreno.

Nos próximos posts vamos falar sobre aprendizagem baseada em contexto, omni disciplina, aprendizagem informal, upskilling e life long learning. Fiquem ligados!

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