Earcons, porque o pouco pode significar muito?

04/12/2017
Posted in Trabalho
04/12/2017 Felipe Menhem

Earcons, porque o pouco pode significar muito?

Para manter o trocadilho, fiquei obcecado com esse e-mail do Quartz sobre earcons. Como diz o texto, se você nunca ouviu o termo, certamente você já ouviu um: seja o som de inicialização do seu computador ou da assistente virtual do seu telefone. Em linhas gerais, os earcons são pedacinhos de som que nos ajudam a interagir com a tecnologia.

Algumas coisas me chamaram a atenção nesse texto. Uma delas é que apesar de curtos, os earcons são fruto de briefings complicadíssimos. (Já viu nosso vídeo sobre briefing no canal dos nossos amigos da Agência Nuts?)

Quando o compositor Brian Eno foi convidado para fazer o som de inicialização do Windows 95, o briefing era “algo que fosse inspirador, universal, otimista, futurista, sentimental e emocional – com 3,25 segundos de duração”.

Já Walter Werzowa, que compos o earcon utilizado pela Intel, precisou seguir as diretrizes para tons que lembrassem inovação, capacidade de resolução de problemas e o interior de um computador, e que ainda fosse corporativo e convidativo. (Olha, não duvido que isso poderia ser o briefing de um e-learning também).

Ou seja, há mais de 20 anos, aquela velha discussão sobre conteúdo e tamanho da forma já existia, embora em outras frentes. Nesse caso, o tamanho da forma deve ser ditada pela importância e relevância do conteúdo. É algo que a gente acredita muito, inclusive. Não faz sentido estender (ou comprimir) uma carga horária só para seguir uma convenção. “Todo vídeo precisa ter x minutos” ou “o curso precisa ter no máximo x telas/carga horária”. Partindo de um bom briefing, o que importa é o tamanho da história a ser contada.

Além disso, é interessante pensar que trabalhar com limitações acaba sendo um combustível para a criatividade e a resolução de problemas. O próprio Brian Eno disse que depois de trabalhar em uma peça de 3,25 segundos, compor um música de três minutos parecia um oceano de tempo.

Finalmente, gostei de dois outros pontos no e-mail. Earcons ajudam médicos a salvar vidas. O ambiente hospitalar confia muito em “sinais sonoros” para comunicar informações críticas aos profissionais de saúde. Pessoas que se movimentam bastante e podem estar olhando para todos os lados. De fato, estudos mostram que esses profissionais respondem mais rapidamente aos alarmes sonoros do que os visuais.

Finalmente, earcons podem ser importantes para os carros elétricos. Esses veículos são super silenciosos quando andam em velocidades até 30 km/h. Pensando nisso, os fabricantes americanos de veículos elétricos vão garantir que os carros farão algum som até essa velocidade. Tudo para alertar pedestres e, principalmente, pessoas com deficiência visual. Mais do que isso o barulho dos pneus no piso e da resistência do ar já fazem o serviço de “alerta”.

Pensando nisso, deixo para a discussão. Você vê (ou ouve?) algum espaço para o uso de pequenos alertas sonoros no seu dia-a-dia ou como forma de treinamento?

Conta pra gente.

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