O futuro do CV

13/06/2018
Posted in Trabalho
13/06/2018 Felipe Menhem

O futuro do CV

Uma das nossas fontes de inspiração e referência é o Quartz, uma das publicações eletrônicas mais legais em nossa opinião. Recomendamos especialmente o Daily Brief, a newsletter diária e o Obsessions, o e-mail que esmiuça um tema apenas, seja ele qual for.

Um desses e-mails falou sobre o velho e bom Curriculum Vitae. Nossa história profissional resumida em uma (ou algumas) página(s) completa 500 anos. O primeiro CV da história é atribuído a Leonardo da Vinci, que em 1482 escreveu sobre suas habilidades ao Duque de Milão.

Seja um PDF ou um perfil no Linkedin, um CV conta toda a história profissional de uma pessoa, o que é útil naturalmente. No entanto, ele é falho em pontos cruciais: 1) Não traz absolutamente nenhuma informação sobre personalidade e habilidades sociais da pessoa; 2) Informações como gênero, estado civil, endereço e formação podem servir como ofensores, intencionais ou não.

Sobre o primeiro ponto, aparentemente todas as pessoas têm as qualificações e habilidades sociais necessárias. Afinal, chovem características como “direcionado a resultados”, “excelente no trabalho em equipe”, “pessoa agregadora”, quando na prática, a história é outra. Na imensa maioria das vezes essas são frases clichê e não refletem a maneira que a pessoa trabalha. Por isso, existe uma discussão sobre novas práticas de recrutamento e seleção nas empresas, para garantir um índice maior de acerto nas contratações.

Sobre o segundo ponto, pelo menos para nós, fica cada vez mais claro que essas informações não importantes. Para muitas funções, o trabalho remoto é uma realidade. Formação escolar e acadêmica são o meio para um fim. Ou seja, não podem ser mais importantes do que a experiência profissional. (Outro excelente texto do Quartz sobre isso).

Quando falamos sobre ocupar uma vaga, gênero, orientação sexual e estado civil são relevantes na criação de um ambiente de trabalho diverso e multicultural. Já falamos algumas vezes por aqui sobre a importância da diversidade tanto para o negócio quanto para o indivíduo. Infelizmente, não é assim que as coisas acontecem.

Na imensa maioria das vezes, essas informações são utilizadas contra as pessoas que se candidatam. Formação acadêmica pode virar um selo de classe, a mulher casada pode perder a vaga porque pode engravidar, na escala de privilégios o homem branco ainda está na frente e pessoas trans ainda batalham por espaço nos ambientes de trabalho mundo afora. Nesse ponto, é preciso uma mudança de mentalidade nas organizações e programas feito o Enegrecer, o recrutamento expresso feito pela ThoughtWorks.

E aí, o Curriculum como conhecemos perde força, sendo uma ferramenta do século passado. Afinal, também imaginamos que ele vai evoluir para algo mais informações (e que serão bem mais úteis) do que o modelo atual, possivelmente verificadas através do blockchain e que integre informações de plataformas feito linkedin e github. Não irá resolver todos os problemas do recrutamento, mas pode ajudar um bocado.

E pra vocês? Qual é o futuro do Curriculum Vitae? Conta pra gente!

Agradecimentos ao Fabio Mariano pela troca de ideias na construção desse texto.

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