Estruturas Libertadoras na Aprendizagem

16/08/2018
Posted in Trabalho
16/08/2018 Isabella Bertelli

Estruturas Libertadoras na Aprendizagem

Você já ouviu falar do uso de estruturas libertadoras em soluções de aprendizagem corporativas? São formatos que possibilitam, de maneira rápida e simples, que um grupo de pessoas – de qualquer tamanho – melhore radicalmente a forma como interage e trabalha junto.

Para começar, por que esse nome? Libertar do quê, você pode estar pensando. As estruturas são libertadoras no sentido de que libertam os participantes para contribuir com as suas ideias, e assim, libertam o potencial do grupo. Ideal para quando queremos possibilitar interações e aproveitar ao máximo a inteligência coletiva. Aqui, o controle é distribuído com o grupo, e o facilitador não sabe que soluções serão encontradas para os problemas colocados, está ali para uma facilitação sutil a serviço do grupo, para que todos participem e troquem entre si.

Está difícil visualizar como isso acontece? Vamos dar um exemplo. Existe uma estrutura libertadora que se chama 1-2-4-All. Ela tem uma duração entre 10 e 12 minutos, e seu objetivo é engajar todos simultaneamente na geração de perguntas, ideias e sugestões. Pode ser utilizada para grupos de qualquer tamanho (em geral, com um mínimo de 8 participantes, e sem limite máximo).

Imagine que o tema do dia seja “Negociação”. O facilitador pode começar com um convite, “Qual é sua maior dificuldade com o tema negociação, e que solucioná-la faria uma grande diferença no seu trabalho?”. Os passos são:

  • 1 min: reflexão individual
  • 2 min: os participantes se juntam em duplas e compartilham suas reflexões
  • 4 min: as duplas se juntam em quartetos, compartilham seus pontos de dúvida
  • 5 min: o facilitador pergunta: “qual foi o ponto que mais se destacou em sua conversa?”

Cada quarteto fala um ponto, e o facilitador pode fazer mais rodadas de pontos de destaque, se quiser. Simples, não é mesmo? Porém, estruturado. Dessa forma, o grupo tem um retrato das dificuldades mais vivas sobre esse assunto, e em pouquíssimo tempo. Outro exemplo é utilizar essa estrutura ao final do dia, perguntando “Que feedbacks você tem sobre o dia de hoje? Alguma questão, comentário ou ideia?”. Muitos usos são possíveis.

“As estruturas libertadoras não são difíceis de aprender, mas precisam ser vivenciadas pelo menos uma vez para entender e acreditar no quanto elas podem atingir.” – The Surprising Power of Liberating Structures – p. 77

Essa é uma estrutura que permite amplamente a participação das pessoas. Inclusive daquelas que em geral não falariam em plenária (introvertidos ou tímidos, por exemplo), e dificulta que uma ou poucas pessoas sequestrem o poder da fala. Os tempos curtos nos convidam a ser sintéticos e a fazer bom uso da palavra – uma habilidade que vai melhorando conforme mais participamos de estruturas libertadoras.

Os autores do livro The Surprising Power of Liberating Structures compilaram 33 estruturas libertadoras, que podem ser utilizadas para facilitar processos grupais de um modo diferente: distribuindo o poder e o controle, fazendo com que todos estejam presentes, atentos, e contribuindo com o tema. Como facilitadores, não sabemos exatamente para onde o grupo irá, que ideias e soluções poderá trazer, e essa é a mágica do processo.

 

Para saber mais:

liberatingstructures.com

www.estruturaslibertadoras.com.br

Fontes:

– Livro The Surprising Power of Liberating Structures. (2015) Lipmanowicz, H. McCandless, K.

– Conversas com Fernando Murray Loureiro e Carolina Ribeiro de Almeida

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