[Vídeo] Dress… what?

20/08/2018
Posted in Trabalho

[Vídeo] Dress… what?

Como eu passei a ver o “código de vestimenta” com outros olhos

 

Recentemente, fomos convidados por um grande cliente pra desenvolver um vídeo educativo sobre… dress code, isto é, código de vestimenta.

De cara, confesso que fiquei bastante incomodado com o tema, pensando em por que as empresas ainda se preocupam com assuntos como esse. Eu particularmente nunca acreditei que a roupa usada por um profissional, independente da área, interferisse nos resultados dele.

Minto. Na verdade, já vi profissionais entregando MENOS porque a empresa os obrigava a se vestirem “de acordo com os padrões exigidos” no mundo corporativo. Já vi até mesmo casos de pessoas extremamente talentosas que pediram demissão por causa disso. No fim, quem saiu perdendo foram as empresas.

Mas vamos lá, trabalhando em uma área como a nossa, em que a aprendizagem é a regra número 1, nunca nos fechamos para os diversos pontos de vista, e só recusamos trabalho se, de fato, tivermos que fazer alguma coisa que infrinja os nossos valores.

Foi lançado o desafio: “Precisamos convencer os nossos colaboradores a se vestirem de acordo com os padrões da empresa. Valorizamos a diversidade, mas o nosso approach não tem sido bem visto e estamos sendo acusados de discriminação.”.

Imediatamente, me coloquei em estado de reflexão, pois eu mesmo tendia a acreditar que não respeitar o jeito de o outro se vestir era pura discriminação. E pode ser mesmo, mas aí vou lançar a polêmica: depende do contexto.

Cheguei a essa conclusão depois de muito pensar e decidir finalmente abrir a mente para um fato inquestionável: assim como as pessoas, as instituições também têm sua identidade. E assim como no caso das pessoas, essa identidade pode assumir diferentes configurações, dependendo da ocasião, da circunstância, enfim, de uma série de fatores.

Para entender melhor, basta você mesmo se imaginar nas várias situações da vida: na praia, na igreja, na academia, em uma festa de casamento… Quantos “códigos de vestimenta” você acaba seguindo no seu dia a dia? Claro, sempre vão ter aqueles que querem levar sua autenticidade até o último grau, e isso deve ser respeitado, desde que não agrida o coleguinha ao lado.

Quando eu falo em agredir, estou sendo bem literal, porque é óbvio que isso pode ser relativizado. O ponto onde quero chegar é mais simples: o tão polêmico “código de vestimenta” nada mais é do que uma convenção coletiva em que um grupo decide que é melhor se vestir dessa ou daquela maneira em determinado ambiente, em determinada ocasião, etc.

Notou alguma semelhança com o ambiente empresarial? Não é mera coincidência, já que um dia um grupo de pessoas legitimou que a forma de se vestir naquele ambiente era essa ou aquela – e isso passou a fazer parte daquela cultura.

No fim das contas, é preciso respeitar as duas identidades: a da pessoa e a da instituição; a individual e a coletiva. Nesse sentido, mais do que simplesmente julgar que as empresas com códigos de vestimenta mais rígidos são locais de discriminação, sobretudo por parte daqueles que desejam trabalhar nelas, é preciso avaliar onde está o ponto de encontro dessas identidades e, se a conclusão é que ele não existe, a decisão é simples: não trabalharão juntos.

Isso vai acontecer com mais frequência, naturalmente, entre pessoas e empresas cuja flexibilidade é menor, isto é, que têm maior necessidade de afirmação da sua identidade ou autenticidade. Em cenários como esse, ao meu ver, ambos têm maiores chances de perda, considerando a relação trabalho x talento.

O que eu penso disso tudo? Ainda acredito num futuro em que as empresas vão se preocupar menos com as roupas que os profissionais estão vestindo. Porém, no cenário de hoje, resolvi abrir a mente e entender que respeitar a identidade vai muito além de vestir a roupa que se quer.

E você, o que pensa?

Obrigado e até a próxima!

Leave a Reply

Your email address will not be published.