O que a música pode nos ensinar sobre colaboração e aprendizagem

10/12/2018
Posted in Trabalho
10/12/2018 Felipe Menhem

O que a música pode nos ensinar sobre colaboração e aprendizagem

Adoro quando dois conceitos completamente diferentes e sem aparente conexão são… conectados. Nesse ponto, o livro “Yes to the Mess“, de Frank Barrett é uma delícia. Embora esteja lendo em um ritmo bem mais lento que o habitual, o livro fala sobre Jazz e gestão organizacional. Mais especificamente, como devemos abraçar a mentalidade de improvisação e criação do jazz dentro do ambiente profissional. Existem vários pontos interessantes e a leitura é altamente recomendada.

Queria falar rapidamente sobre uma dessas correlações: a forma como aprendemos no ambiente de trabalho. No ambiente formal, acreditamos bastante no modelo 70-20-10, proposto por Charles Jennings. Ou seja, 70% do seu aprendizado vem das tarefas do dia a dia, 20% da interação com colegas e 10% através de cursos, livros e afins. Em nosso último post, falamos inclusive que é papel da área de Treinamento e Desenvolvimento ajudar as pessoas no 90%.  Já no jazz, os 90% são representados de duas formas: tocar com a maior quantidade possível de pessoas diferentes e também interagir com seus colegas de música depois dos ensaios e shows. Em qualquer trabalho, o componente social é absurdamente importante.

O psicólogo russo Lev Vigkotsky foi um dos primeiros a perceber como a interação social exercia um papel fundamental no processo cognitivo. Durante nossos anos escolares, nossos professores e professoras são o elo intermediário entre nós e o conhecimento disponível no ambiente. E isso não se aplica somente para as crianças, aplica-se também para nós, adultos velhos de guerra. Quando estamos interagindo com pessoas mais habilidosas, além de conseguir aprender novas habilidades e conhecimentos, também desenvolvemos uma capacidade de reflexão, de crítica e estamos mais abertos ao aprendizado.

Bons músicos e executivos competentes aprenderam a aprender.  – Frank Barrett

Como diz Frank Barrett, bons músicos e executivos competentes aprenderam a aprender. Essas pessoas perceberam que elas conseguem mais se estiverem cercadas por pessoas habilidosas e que dão o suporte para o desenvolvimento. E eu queria chamar atenção para dois pontos desse parágrafo. O primeiro é o “aprender a aprender“, que é uma habilidade super importante para esse futuro cada vez mais digital. Precisamos ter mais autonomia para buscar os conhecimentos que queremos e precisamos. Isso nos leva para o segundo ponto: essa autonomia pode ser desenvolvida mais facilmente em um ambiente de colaboração.

Pra finalizar, eu acho que o ponto ótimo de um ambiente de colaboração, aprendizado e troca está na música “Outlier” do Snarky Puppy. Antes do vídeo, vou contar para vocês o contexto.

O Snarky Puppy é um coletivo de jazz. Existe um núcleo duro no grupo, mas vários membros entram e saem, várias pessoas são convidadas para os shows e é seguro dizer que cada apresentação é diferente uma da outra. Para dar um tempero extra, vários discos são resultado de gravações ao vivo. O “We Like It Here” é um deles. Gravado durante quatro dias em um estúdio na Holanda, contou com uma troca de bateristas de última hora, já que Robert “Sput” Searight, o baterista original, teve um problema com seu passaporte. A banda ligou para Larnell Lewis no domingo de manhã, que saiu do Canadá no mesmo dia para a Holanda e, na segunda-feira, teve poucas horas para fechar o repertório e ensaiar com o restante do grupo. O resultado está aí abaixo e com direito a um pequeno imprevisto do saxofonista Bob Reynolds aos 4:54. A banda estava lá, como um todo, para ajudá-lo. 😉

Agora, pense se fosse um outro ambiente? Com os “cada um por si”, “faça qualquer coisa para trazer mais resultado” que tanto vemos nos escritórios por aí? Tenho sérias dúvidas sobre o resultado final. 🙂

Leave a Reply

Your email address will not be published.