Aprender significa olhar para outras coisas

30/03/2021 Felipe Menhem

Aprender significa olhar para outras coisas

Outro dia, vi esse tweet incrível do Mark Britz na lista que criei sobre aprendizagem, treinamento e desenvolvimento no Twitter.

“A razão pela qual a aprendizagem social nas organizações não alcançou o impacto que poderia é porque há muito foco na aprendizagem e não o suficiente no social.
Aprender é um subproduto de nossas experiências”

Parece óbvio, mas isso precisa ser reforçado sempre. Aprender é um subproduto das nossas experiências. E acredito que muitas vezes, as organizações colocam dinheiro e esforço em novas experiências e esquecem que as relações e espaços já existentes podem ser estímulos à aprendizagem.

Vou dar dois exemplos para o que eu quero dizer. Recentemente, uma pessoa muito próxima foi alocada no time que está redesenhando o LMS da empresa que trabalha. Animada, ela veio me dizer que a solução escolhida permitia a criação de comunidades de aprendizagem. Mas, essas não serão as comunidades que as pessoas utilizarão para trocar informações, especialmente em uma organização daquele porte. Já existem outras, sejam ferramentas como o Slack ou o Teams, grupos de WhatsApp ou até a hora do cafezinho.

Ou seja, ao invés de forçar o controle, o time de Treinamento e Desenvolvimento pode estimular que as pessoas continuem compartilhando e aprendendo nesses espaços seguros e já estabelecidos. Como? Por exemplo, utilizando as redes já existentes para compartilhar curadoria e iniciar discussões. Pode ser um um post no slack com um artigo relevante para o negócio da sua organização ou um vídeo de uma palestra sobre aquele tema do seu interesse. As pessoas que estão na liderança podem estimular que as outras tragam suas dúvidas e problemas e que consigam pensar em soluções de maneira colaborativa.

Outra ideia é criar uma sala (virtual ou presencial) com um espaço livre para as pessoas anotarem suas ideias e aprendizados de maneira livre. A equipe também é livre para criar rituais de celebração toda vez que essa lousa está cheia e precisará ser apagada para que o processo comece novamente.

O segundo exemplo envolve uma pessoa que estava desenvolvendo a formação inicial para o time de captação e vendas da sua organização. A demandante da área havia pedido conteúdos sobre o desenvolvimento de habilidades socioemocionais e como utilizá-las no dia a dia.

(Aliás, já falamos sobre o ciclo vicioso de treinamento aqui.)

Nesse caso, acredito muito que as habilidades socioemocionais são um caminho para criar e desenvolver comunidades. Ao invés de fazer um curso sobre pensamento crítico, crie uma roda de conversa sobre o assunto, utilizando um texto ou vídeo como ferramenta de pré-trabalho e uma pessoa fazendo a moderação da conversa.

Quer falar sobre networking? Chame a pessoa que é referência na organização sobre o tema e peça para o time compartilhar suas experiências e dificuldades. São iniciativas muito mais eficientes e engajadoras do que um vídeo, um curso online ou um artigo por si só.

Nesse episódio do podcast “The Learning Hack”, Harold Jarche comenta que o papel da liderança é ajudar na inteligência da rede. Uma das formas de fazer isso é compartilhando conhecimento e fazendo isso de maneira pública, porque isso acaba informando as pessoas que não são especialistas.

O twitter é uma expressão disso, claro. Mas compartilhamento e curadoria podem – e devem – acontecer no slack, no zoom ou na hora do almoço. Se a aprendizagem é subproduto das experiências, precisamos nutrir mais espaços seguros para interagirmos e fazermos perguntas.

O que vocês acham?

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