Porque investir na formação das pessoas traz resultados

18/06/2018
Posted in Trabalho
18/06/2018 Felipe Menhem

Porque investir na formação das pessoas traz resultados

No fim de maio, o Walmart anunciou que irá pagar para que seus empregados nos Estados Unidos busquem um diploma de ensino superior, com algumas restrições. Estamos falando de uma política da empresa para 1,4 milhão de pessoas.

Vai funcionar dessa forma: O diploma precisa ser em alguma área de negócios ou cadeia de suprimentos em uma das três escolas selecionadas pela empresa, Universidade da Flórida, Universidade Brandman, na Califórnia e a Universidade Bellevue, em Nebraska. Elas foram selecionadas pela ênfase no ensino para adultos e o Walmart irá pagar por custos como mensalidade, material didático e taxas, eliminando a necessidade dos alunos pegarem algum tipo de empréstimo. Em troca, os empregados irão pagar um dólar por dia para o Walmart como forma de co-participação e não há necessidade de ficar na empresa após a conclusão do curso.

A matéria do The Atlantic traz pontos interessantes sobre essa decisão.

Do ponto de vista corporativo, esse movimento – que pode até ser visto como uma ação de relações públicas – mostra a dificuldade das empresas no recrutamento e retenção de pessoas qualificadas, especialmente em um cenário onde a economia está melhorando. Além disso, há fortes indícios de que esse investimento traz retornos.

Prova disso são os resultados da Cigna. Em 2016, a empresa de seguros e benefícios, registrou um retorno de investimento de 129% em um programa similar ao da Walmart entre 2012 e 2014. Isso significa que para cada dólar que a empresa gastou na educação de uma pessoa, ela não apenas ganhou esse dinheiro de volta, mas economizou US$ 1,29 em custos de gestão de talentos. Além disso, aquelas pessoas que participaram do programa viram seus salários aumentarem em 43% nesse período em comparação com seus colegas que não o fizeram. E finalmente, o turnover caiu 8%.

Sob a ótica acâdemica, esse tipo de iniciativa também é importante porque mantém o ensino superior relevante e conectado com as demandas do mercado e com as necessidades da força de trabalho. Esse foi o tema de um dos painéis do SXSW EDU esse ano, o Reinventando a Educação Corporativa, com profissionais da Boeing, MIT e EDx. A companhia aeroespacial se juntou ao MIT para fazer a formação dos seus empregados e tentar cobrir as lacunas de habilidades e aprendizagem necessárias. Conforme falamos em nosso texto sobre currículo, a graduação pode não ser uma credencial relevante no futuro. Quais serão as outras credenciais? E como a universidade pode ajudar nessa formação?

E claro, por último mas não menos importante, a diferença que esse investimento faz na carreira e, principalmente, na vida das pessoas. Em um cenário onde o mercado de trabalho e as habilidades necessárias para ele estão em constante mudança, o benefício dessa ação está não em conferir títulos, mas em elevar a capacidade das pessoas. No meio do caminho, reforça a importância da autonomia no processo de aprendizagem e na busca por novos conhecimentos.

Afinal, nunca é tarde para aprender uma nova habilidade, não é verdade?

 

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