Vamos falar sobre proficiência digital? – Parte 2

21/01/2019
Posted in Trabalho
21/01/2019 Felipe Menhem

Vamos falar sobre proficiência digital? – Parte 2

No post anterior, falamos sobre a importância da proficiência digital nas organizações e demos três dicas para promover essa habilidade no seu ambiente de trabalho:

  1. Entenda quem precisa ser alfabetizado, ser fluente e dominar a tecnologia;
  2. Colocar contexto na aplicação e no treinamento;
  3. Estimular a troca de experiências entre as pessoas do seu time.

Relendo o texto, esses três passos parecem bem claros e sem mistério. Gostaria de saber disso antes de tentar implementar algumas soluções digitais nos lugares que trabalhei. Conforme havia falado também no post, prometi compartilhar sobre como não fazer essa implementação no ambiente de trabalho. Seguem duas experiências. 🙂

Tentei centralizar as tarefas do time do jeito mais difícil

Em 2014 e 2015, eu fiz uma jornada dupla de trabalho, dividindo o meu tempo entre a 42formas e o Comitê Organizador da WorldSkills São Paulo 2015. A WorldSkills é a maior competição de educação profissional do mundo, promovida de dois em dois anos pela organização WorldSkills International em parceria com o membro local. No Brasil, esse membro é o SENAI. (Falamos sobre a edição de 2017 aqui).

Eu estava no time de comunicação do comitê brasileiro, que tinha em torno de dez pessoas e também fazia interface com outras áreas do projeto. Havia pessoas em Brasília e São Paulo, além dos membros da WorldSkills International, que ficam espalhados pelo mundo. (Nota: trabalhar nesse projeto me fez entender como é possível criar estruturas descentralizadas, mas isso é outra história). Era preciso conectar pelo menos as pessoas aqui do Brasil, tentar diminuir um pouco da carga de e-mails e centralizar as informações. Pra isso, tentei empurrar o Basecamp e o Slack para o time. Criei um projeto demo nas plataformas, estudei mais ou menos como elas funcionavam e achei que todo mundo iria entender uma ou outra. Errei rude. Não que sejam soluções complexas, longe disso. Mas não tínhamos tempo para aprender a usar, especialmente em um projeto de tiro curto, onde as entregas sempre se sobrepõem às curvas de aprendizado.

Sabe o que funcionou bem? O combo Trello + reuniões presenciais ou via skype. E o mais legal foi que o time decidiu isso em conjunto. Ou seja, ao invés de pensar em algo mais complexo, optamos por uma ferramenta simples e que funcionava bem com a interação do time. Direto ao ponto, não?

Tentei estimular a produção de conteúdo…

Depois, já perto da competição, estávamos pensando nos apps que iriam para os tablets dos participantes: competidores, chefes de delegação e afins. Além do aplicativo do evento e de documentos importantes, estávamos pensando no que poderia estimular a produção de conteúdo durante o período. Na época, maio ou junho de 2015, o Periscope havia acabado de ser lançado para Android e o Twitter estava na febre dos vídeos ao vivo. Não tive dúvidas, sugeri a instalação do app nos tablets! Todo mundo achou uma boa ideia, seria incrível ver a visão “de dentro” da competição, diferentes histórias e tudo mais.

Porém, não foi bem assim. A adoção foi muito baixa, possivelmente porque as pessoas estavam preocupadas com a competição, não sabiam como contar histórias por dispositivos móveis ou não tinham paciência/saco para o Twitter.

O que faria hoje?

Teria sido muito mais fácil entender qual era a necessidade das pessoas antes de chegar sugerindo ferramentas. Esse é o maior aprendizado. Na imensa maioria das vezes, estamos bem intencionados e queremos colocar tecnologias que ajudem no dia a dia. Afinal, quem não gostaria de diminuir a carga de e-mails ou ter os arquivos centralizados em um lugar só? Porém, pecamos na ansiedade, por não entender quais são as reais necessidades das pessoas ou qual é o nível de tutoria e apoio que elas irão precisar na adoção da solução digital.

Por isso, da próxima vez entenda o cenário, pesquise e pergunte. Pode dar mais trabalho no curto prazo, mas é melhor do que chegar falando “ei, essa é nossa nova ferramenta para [INSIRA AQUI A DEMANDA]. Usem ela a partir de hoje”.

Eu gostaria de ouvir casos semelhantes. Conta a sua experiência pra mim aqui nos comentários? 🙂

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