Complexo é diferente de complicado

01/09/2020
Posted in Tendências
01/09/2020 Felipe Menhem

Complexo é diferente de complicado

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O “novo normal” está exigindo uma mudança de mentalidade, onde precisamos sair do “complicado” para o “complexo”. Essa é a principal lição do artigo escrito pela Sue Bingham para a Harvard Business Review para ajudar as pessoas que trabalham com recursos humanos a navegar nos tempos incertos,

Muitas vezes usamos essas duas palavras como sinônimos e enxergarmos questões complexas como complicadas, mas elas são bem diferentes. A explicação do prof. Rick Nason é clara:

Uma questão complicada é aquela em que “os componentes podem ser separados e tratados de uma forma sistemática e lógica e que depende de um conjunto de regras estáticas ou algoritmos.” Pode ser difícil de ver, mas coisas complicadas tem uma ordem fixa e que permite você lidar com isso de maneira repetitiva. 

Por outro lado, uma questão complexa é aquela em que você não consegue controlar as peças com firmeza e não há regras, algoritmos ou leis naturais. “Coisas que são complexas não têm tal grau de ordem, controle ou previsibilidade”, diz Nason. Uma coisa complexa é muito mais desafiadora – e diferente – do que a soma de suas partes, porque suas partes interagem de maneiras imprevisíveis.

Fazer um carro elétrico é complicado. Gerenciar pessoas ou saber a reação do mercado a um novo produto é complexo. E muitas vezes, tentamos resolver um problema complexo com a abordagem complicada: com regras, procedimentos e mais amarras. Pode não dar certo.

Problemas complicados e problemas complexos exigem habilidades, abordagens e gerenciamentos completamente diferentes e tudo bem.

Além de promover essa mudança de mentalidade, Sue Bingham defende outros dois pontos para os tempos incertos: criar uma cultura de confiança e reforçar os valores fundamentais da (e na) organização. Tudo tem muito em comum com o que falamos na premissa do Núcleo de Aprendizagem Ágil e no nosso webinar “Improviso para Não Músicos“.

Para navegar no mundo complexo e resolver os problemas complexos, precisamos entender que não existe uma abordagem única. Os músicos de jazz navegam no mundo do bebop, a forma mais “complexa” do estilo, porque entendem o conjunto mínimo de regras e valores que norteiam aquilo e confiam nos músicos que estão dividindo as sessões. Além disso, eles têm a ideia de que o estudo e a prática contínuas são fundamentais para entender o contexto e explorar as múltiplas possibilidades.

A mesma coisa precisa acontecer nas organizações. Precisamos delimitar o conjunto mínimo de regras e valores da organização para maximizar a autonomia das pessoas. Na aprendizagem, significa incorporar e respeitar os desejos e experiência delas ao processo e abraçar as múltiplas potencialidades, pontos de vista e habilidades como oportunidades de melhoria e crescimento do negócio.

 

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